Relato sobre a Contribuição da Profa. Mitsuko Okuda para o Ensino de Química em Goiás

Profa. Mitsuko Okuda

Relato sobre a Contribuição da Profa. Mitsuko Okuda para o Ensino de Química em Goiás

Relato sobre a Contribuição da Profa. Mitsuko Okuda para o Ensino de Química em Goiás

A trajetória do Ensino de Química em Goiás, tal como se consolidou a partir da década de 1990, contou com a contribuição discreta, e profundamente comprometida, da Profa. Mitsuko Okuda. Professora Titular da Faculdade de Educação da UFG, já aposentada à época dos fatos aqui relatados, a Profa. Mitsuko permanecia na UFG, vinculada ao Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (CEPAE/UFG), onde continuava exercendo um papel de orientação, articulação e apoio a iniciativas voltadas à formação de professores e ao fortalecimento da educação científica no estado.

No ano de 1995, o Brasil vivia um período de transição em diversos aspectos. Após o longo período de hiperinflação, o país buscava estabilizar a economia com a implantação do Plano Real, em 1994. No âmbito das universidades públicas, enfrentavam-se dificuldades para a reposição de vagas de docentes nas IFES, em função da aposentadoria de uma geração de professores pioneiros, entre eles a própria Profa. Mitsuko e seu esposo, o Prof. Mário Okuda. Além disso, havia escassez de recursos para financiar projetos de pesquisa e extensão.

Nesse contexto, o PADCT (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico), vinculado ao então Ministério da Ciência e Tecnologia, lançava seus últimos editais. O Subprograma de Educação para a Ciência (SPEC) publicou, naquele período, o Edital SPEC-QEQ 01/1995. Ao tomar conhecimento desse edital, a Profa. Mitsuko Okuda percebeu a oportunidade estratégica que ele representava para o fortalecimento do Ensino de Química e para a formação continuada de professores no estado de Goiás. Juntamente com então, jovem professor do IQ /UFG, Wilson Botter Jr., contactaram alguns professores de química e formaram uma equipe para apresentar uma proposta em atendimento ao edital.

Reunindo professores do Instituto de Química (IQ/UFG), do CEPAE e da então Escola Técnica Federal de Goiás (ETFG), a equipe elaborou o projeto intitulado “Projeto de Interação Docente no Ensino de Química de Goiás – PIQUI”. O projeto foi discutido e estruturado na casa do casal Okuda, que generosamente abriu seu espaço e ofereceu suporte intelectual e humano para que a proposta alcançasse o nível de consistência necessário para competir em âmbito nacional. A proposta foi submetida tendo o IQ e o CEPAE/UFG como unidades executoras e a Escola Técnica Federal de Goiás

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(Área de Química) como instituição associada, sendo aprovada com financiamento de R$ 175.167,20 — valor bastante significativo à época.
A equipe original do projeto foi composta pelos seguintes professores de Química:
Emília Celma de Oliveira Lima (IQ-UFG), Agustina Rosa Echeverría (ETFG), Denílson Rabelo (IQ-UFG), Dahir Chavier de Araújo (IQ-UFG), Elson Pires da Silva (IQ-UFG), Leonice Manrique Faustino Tresvenzol (IQ-UFG), Marilene Barcelos Moreira (CEPAE-UFG), Maria José de Oliveira Faria de Almeida (CEPAE-UFG), Patrícia Pommé Confessori Sartoratto (IQ-UFG) e Wilson Botter Júnior (IQ-UFG). Posteriormente integraram a equipe a professora de Química Sandra Regina Longhin da Silva (ETFG) e a pedagoga e funcionária administrativa Myrian Abadia Moreira Faria Arantes de Paiva (IQ-UFG).

O Projeto PIQUI foi executado entre 1996 e 1998, em parceria com a Secretaria de Educação e Cultura do Estado de Goiás. Suas ações refletiam uma concepção de formação docente que a Profa. Mitsuko sempre defendeu: formação continuada, diálogo entre escola e universidade e valorização do professor da educação básica como mediador da construção do conhecimento. Entre as principais ações do projeto destacam-se:


i) Curso de capacitação para professores em serviço da Rede Estadual de Ensino de Goiás, com 120 horas, realizado presencialmente na ETFG, envolvendo 38 professores provenientes de 28 Delegacias Regionais de Ensino do estado;
ii) Instalação do primeiro Núcleo de Apoio ao Professor de Química do Ensino Médio;
iii) Realização de dois grandes seminários sobre o Ensino de Química — os “Seminários PIQUI” — reunindo professores e pesquisadores de diferentes regiões do país e aproximadamente 200 professores de Química do Ensino Médio;
iv) Construção de um laboratório para Ensino de Química no CEPAE.

Como impactos das ações do projeto, podem ser citados:
i) Diagnóstico da realidade do Ensino de Química no estado de Goiás;
ii) Propostas de melhoria para o curso de Licenciatura em Química da UFG, que resultaram na decisão do Conselho Diretor do IQ de abrir concurso para a área de Ensino de Química, possibilitando o ingresso, em 1998, da Profa. Agustina Rosa Echeverría;
iii) Fortalecimento da relação entre UFG, ETFG e Secretaria de Educação do Estado de Goiás;
iv) Divulgação da Química como ciência essencial à formação do cidadão.

Esses desdobramentos não podem ser compreendidos apenas como resultados de um projeto isolado, mas como parte de um movimento mais amplo de consolidação da área de Ensino de Química em Goiás, no qual a Profa. Mitsuko Okuda teve papel decisivo ao incentivar, orientar e legitimar institucionalmente iniciativas que, à época, ainda eram incipientes.

O PIQUI foi amplamente divulgado nas escolas públicas e privadas de Goiânia e do estado, chegando a impactar o número de candidatos por vaga nos vestibulares da UFG para os cursos de Química nos anos subsequentes. A área de Ensino de Química se ampliou com o ingresso do Prof. Marlon Herbert Flora Barbosa Soares, em 2002. Em 2004 foi criado o NUPEC (Núcleo de Pesquisa em Ensino de Ciências), hoje instalado em prédio próprio, no Campus II da UFG. O grupo de Ensino de Química do IQ/UFG consolidou-se com o ingresso da Profa. Anna Maria Canavarro Benite (2005), da Profa. Nyuara Araújo da Silva Mesquita (2009) e do Prof. Claudio Roberto Machado Benite (2012). Atualmente, trata-se de um grupo ativo e reconhecido nacionalmente, cujos pesquisadores já formaram 132 mestres e 63 doutores atuando em universidades, institutos federais e escolas públicas de Goiás.

O crescimento dessa área ao longo dessas três décadas pode ser visto como um dos frutos mais duradouros da semente plantada naquele momento inicial. Embora não estivesse formalmente à frente das ações, a Profa. Mitsuko esteve na origem de um processo que ajudou a transformar o Ensino de Química em Goiás em um campo reconhecido de produção de conhecimento, formação de pesquisadores e impacto social.
Em um momento histórico em que a formação das novas gerações enfrenta o esvaziamento de conteúdos científicos na educação básica, a memória da Profa. Mitsuko Okuda nos lembra da importância da universidade pública comprometida com a educação básica e a formação de professores como objetivo estratégico de uma educação que contribua para o desenvolvimento e a soberania científica do país.

Profa. Emilia Celma de Oliveira Lima – Coordenadora do Projeto PIQUI
Profa. Agustina Rosa Echeverría – Coordenadora Pedagógica do Projeto PIQUI.

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